Capítulo I – O Início

Postado em Uncategorized em 17 17UTC dezembro 17UTC 2009 por Júnior Oliveira

Na verdade isso nao é o início.
Tudo começou há algum tempo…
Meu medo começou há algum tempo.

Me chamo Henzo. Ou escolhi me chamar assim, a partir desse momento.
Não criei isso para assustar as pessoas, ou para falar sobre os meus problemas. Mas assim eu me sinto menos sozinho.
Fiz dezesseis anos há pouco tempo, há menos de um mês. Meu pai fez uma festa pra mim, até que foi legal, tirando aquela parte do…
Moro com meu pai e minha avó, numa casa branca, no bairro do Santos Dumont. Minha irmã e minha mãe morreram há dez anos num acidente de carro. Não foi tempo suficiente para deixar de sentir falta delas.
Tenho uma única amiga chamada Lucy.
Eu também tinha um cachorro, mas ele morreu no final do ano passado.
Estou cursando o segundo ano do ensino médio. Vou a pé para escola, gosto de caminhar pelo bosque, é mais calmo e não tem muito barulho. Meu pai diz que poderia me levar de carro, mas eu prefiro ir andando.
Sou simples, mas não se assuste quando eu complexar as coisas.
É só o meu jeito.
Não namoro por que não sei e por que também nao tenho pretendentes.
Isso, porém, nao é problema pra mim :)
Agora estou sozinho em meu quarto. Acabei de fechar as cortinas lilás, o sol da tarde estava me queimando.
Minha avó está na cozinha, posso até sentir o cheiro do café quente!
Adoraria ouvi-la cantar a canção de ninar da mamãe… Pena ela ter perdido a voz… Pena ela não ter mais aquele brilho dentro dos olhos.
Meu pai está no consultório, com certeza deve ter muita gente com ele. Gente doente. Não sei se está pensando em mim.
Mas acho que sou uma das poucas coisas que ocupa a cabeça dele.
A lucy veio aqui, pela manhã. Disse que iria passar a semana de férias na casa da tia, no bairro da Vitória.
Vou ficar mais sozinho.
Sozinho?

O Ted está sobre a cama. Jogado e parado. O urso idiota.
As cortinas balançam com o vento… O cheiro do café, a canção de ninar que toca na minha cabeça…
E o Ted. Os olhos dele brilham.
Eu estou cheio de medo.
Medo.
Desde aquele dia… Depois da minha festa de dezesseis anos…
Oh, meu Deus! Por que a Lucy esqueceu o que havia prometido?
Eu vou escrever isso.
Vou contar isso…
Alguém quer mesmo saber?

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